Ouvi palavras que se aproximavam do final daquilo, na verdade por alguns minutos pensei o que realmente significava o fim. Nunca soube. Entre milhares de pensamentos vi seu sorriso, vi o meu sorriso muito mais alegre perto do dele, pensei em nossos planos futuros, tudo estava indo por água abaixo, lembrei de nossas viagens de romance para outras cidades e do nosso primeiro beijo depois dele ter me pedido em namoro, de seu jeito quanto estava nervoso, das poucas vezes em que eu o elogiava e como ele ficava encabulado, das minhas noites ao seu lado e do quanto ele me fazia bem. Olhei-o novamente em silêncio, ele parecia não querer me olhar, eu insisti e toquei-lhe a face amarga que se esgueirou e afastei-me então. Perdida novamente dentro de mim mesma, meu coração palpitava como se nunca mais fosse bater se ele não estivesse ali.
Eu tinha que deixá-lo ir, ele seria mais feliz sem mim, seria meu ato menos egoísta deste ano. Mas eu não disse nada, fitei-o em abrupto silêncio enquanto ele tentava decifrar o que se passava dentro de mim, eu queria gritar, ou chorar, chamar por alguém, mas me calei enquanto meu corpo clamava pelo seu, tudo o que eu queria era que ele me abraçasse e dissesse que nunca iria me deixar partir, mas ele não disse, na verdade ele nunca diria isso, não era de seu feitio.
Ele me deixou ir, em meu corpo não tocou, em meu rosto nem ao menos olhou, eu parti saindo para sempre de sua vida. E ele deixou-me partir, saindo para sempre de mim.
Enquanto eu só queria que ele voltasse pedisse, eu faria. Eu o amava, não desistiria dele, mas ele já havia desistido de mim.
Jeiliane Sousa.
Jeiliane Sousa.