0 Esses pequenos amores...


Ela acordou sozinha mais uma vez. Fazia meses nesta mesma rotina. Estava só desde que ele se fora. Já havia passado por isso outras vezes. Tornou-se expert na arte do abandono. Mas agora era diferente. Diferente porque ela estava errada. Deixou-se levar pelos problemas e afundou a relação que eles tinham. Quando descobriu que o amava já era tarde. Ele simplesmente foi embora. Desistiu. Cansou de tanto problema. Ele só queria ser feliz, mas ela não sabia como ser. Tudo aquilo era demais para ela. Sentia uma saudade insuportável. Sentia falta do seu cheiro, dos seus beijos. Das ligações e das altas contas de celular. Sentia falta de toda cumplicidade que os envolvia. Passou o domingo inteiro dentro do seu quarto. Enclausurada em pensamentos. Não viu a cor do céu naquele dia. Uma profunda tristeza a abatia. Tentou ligar para ele, mas não teve coragem. Teve medo dele não atender ou se atendesse que ele lhe contasse que estava com outra pessoa. Na pior das hipóteses a dúvida ainda manteria sua esperança. Ficou deitada na cama sentindo pena de si mesmo. No fundo ela sabia que tudo aquilo iria passar. Sabia que vivemos de pequenos amores à espera dos grandes. Mas naquele momento seu coração se permitia ser dele, apenas dele, como ela queria que fosse. Talvez pela demora de perceber que aquele pequeno amor, poderia ser o grande na verdade, porem ela o deixou ir e na tristeza aparente hoje se derrama debruçada sobre a cama só precisava chorar.


"Seria tão diferente se as coisas que gostamos não terminassem de repente, 
e se os momentos da vida durassem para sempre, 
se cada sorriso no rosto fosse pleno e quando chorássemos fosse só alegria, 
se cada abraço fraterno fosse imortalizado e cada conversa fosse gravada 
minuciosamente, se as amizades fossem multiplicadas e os desentendimentos 
esquecidos no próximo segundo, se os amores de nossas vidas fossem eternos 
e se nossos irmãos nunca partissem, mas a vida é diferente e deve ser vivida 
plenamente, cada dia é uma historia; cada passo uma conquista e cada pedra 
no caminho é uma forma de amadurecimento, e, mesmo que o tempo passe, 
e que as coisas mudem, é olhando para trás que nos damos conta 
que simplesmente vivemos..."

Jeiliane'


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